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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sou o Número Quatro

Três Planetas, nove crianças...

Hoje trago-vos um presente do passado! É realmente fantástico como algumas obras nos fazer querer relê-las. A vítima desta vez foi Sou o Número Quatro, de Pittacus Lore, o primeiro livro da série Os Legados de Lorien.

"Pittacus Lore é um pseudónimo usado por James Frey e Jobie Hughes para escrever esta série. Pittacus Lore aparece no primeiro livro da série, Eu Sou o Número Quatro, como um ancião a quem foi confiada a história dos nove lorianos."

Daniel Jones parecia um rapaz normal. Vivia na Florida, onde tempo era sempre agradável. Encontrava-se uma festa, quando uma terceira cicatriz lhe aparece na perna, começando brilhar. Todos seus "amigos" ficam abismados e Daniel sabe o que tem a fazer.

Foge nadando e vai ter com Henri, o seu Cêpan, que já fez as malas para partirem. Têm como destino Paradise, Ohio, e produzem novas identidades. Agora, Daniel chama-se John Smith.


Acontece que John não é um rapaz normal. É um extraterrestre, um de nove que vieram para a Terra após destruição seu planeta, Lorien, por seres malvados, Mogadorianos, do planeta Mogadore. 

Cada um desses novos jovens tem consigo um Cêpan, um guardião que os ajuda a manterem-se escondidos e a protegerem-se contra quem os quer eliminar.

John é o número quatro, os primeiros três estão mortos, ele é o seguinte. Todos Lorianos na Terra têm, sobre eles, um encantamento: só podem ser mortos por ordem, assim, John sabe que é o próximo.

Ele sabe que pode ter de fugir de Paradise a qualquer momento mas não consegue resistir a apaixonar-se por Sarah Hart e a fazer de Sam Good, um excêntrico rapaz obcecado por extraterrestes, o seu melhor amigo.

Agora, John está dividido entre a sobrevivência e amor. Será capaz de fazer a escolha certa? 

Já é segunda vez que que leio este livro, mas é como se fosse a primeira. Encontrei vertentes que não tinha reparado antes, o que é sempre bom. Ainda mais se o livro for bom, o que é o caso.

A linguagem é simples e cativante, sempre do ponto de vista de John, o que nos permite compreender os sentimentos dessa personagem, desde a sua dor quase constante ao inevitável amor por Sarah. 

As descrições do espaço não são aborrecidas, mas são completas o suficiente para nos fazer perceber onde se encontram as personagens. Gostei da forma como as emoções se emparelham com o cenário. Quando a dúvida e o medo de se abatem sobre John, também o cenário parece escurecer e tornar-se mais sombrio. 

Por vezes, gostaria de ver um pouco mais de Sam e Henri, talvez por estarmos sempre na mente de John não tenhamos uma visão ampla dos que o rodeiam. Queria perceber o que os move, as razões para suas ações.

É incrível como o Pittacus Lore consegue criar não só um único mundo, mas três. Temos acesso às realidaDes de Mogadore, Lorien e da Terra. Esses dois planetas que não o nosso poderiam muito bem, com base nas suas descrições existir, o que é, sem dúvida, um ponto a favor da verosimilhança da obra.

Agora, tenho imensa vontade de saber o que acontece esses seis jovens. A história cativou-me de forma excecional, incentivando-me a reler a sua continuação: O Poder de Seis.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Eldest


De volta às origens...


Eldest é o segundo volume da saga Herança, de Christopher Paolini. O primeiro livro desta coleção chame-se Eragon e já publiquei a minha opinião acerca do mesmo aqui no blogue.

Se não conhecem Eragon ou estão interessados em saber mais sobre o livro e o autor, podem ler a opinião e mais alguma informação aqui.

No final do primeiro livro vimos Eragon tornar-se um aniquilador de espectros, criaturas mágicas malignas, após derrotar Durza. Eragon acredita que o matou por mera sorte devido à intervenção de Arya, mas todos à sua volta o tratam como o mais honrado dos heróis.

Este jovem e o seu dragão, Saphira, têm agora nas mãos uma missão: receber treino em Ellesméra, cidade dos Elfos, para um dia poderem derrotar Galbatorix, o rei tirano que governa Alagaësia.

Alianças improváveis têm de ser feitas. Mas com quem? Se o cavaleiro e o seu dragão jurassem lealdade a alguma das nações: Varden, Elfos ou Anões, estariam para sempre vinculados ao juramento. Como poderia Eragon fazê-lo sem se tornar parcial e sem se esquecer do seu verdadeiro objetivo?

Eragon parte com Saphira, Arya, uma elfo, e Orik, um anão, numa jornada rumo a Ellesméra, onde irá receber o seu treino.

Paolini adota, em Eldest, uma postura diferente relativamente ao primeiro livro, Eragon. Os episódios não são apenas narrados do ponto de vista de Eragon, mas também de Roran, o seu primo e Nasuada, filha de Ajihad, antigo governador dos Varden.


Assim, conseguimos acompanhar várias narrativas que decorrem ao mesmo tempo e a enormes distâncias: a perseguição de Roran por parte dos Ra'zac, servos do Império que assassinaram o seu pai e obrigaram o seu primo a fugir; o governo de Nasuada e as dificuldades que os Varden têm de enfrentar para poderem constituir uma ameaça a Galbatorix e ao Império; e a viagem e treino de Eragon, bem como a sua autodescoberta e revelação dos segredos mais bem guardados de Du Weldenvarden, a floresta dos elfos.
Por vezes, certos trechos tornam-se um pouco aborrecidos, especialmente nos momentos de viagem. Talvez tivesse gostado tanto do livro da primeira vez que o li que apaguei esses momentos de leitura menos bons da minha memória. Sinto que nessas situações a ação se torna monótona e demorada. No entanto, prepara-nos para as peripécias que vêm a seguir. 

Mais uma vez, este autor consegue arrastar-nos e levar-nos a Alagaësia com as suas palavras. As descrições dos locais e sentimentos que as personagens revelam quando confrontadas com a grandiosidade dos imensos cenários fazem-nos sentir como se fossem uma lembrança de algo que visitámos, como se realmente conseguíssemos visionar os espaços e estar lá com as personagens. 

Neste livro são-nos revelados factos completamente inesperados, desde realeza onde menos se espera, até às origens de Eragon. Não vos posso revelar muito mais, mas aconselho vivamente a leitura deste livro. Mesmo sendo a segunda vez que o leio conseguiu deixar-me espantada com o universo mágico nele criado e a complexidade dos pormenores.  

Em breve irei reler e divulgar a minha opinião acerca de Brisingr, o terceiro livro da saga. Apercebi-me que não me lembro de muito do que li da primeira vez, por isso, estou muito interessada em saber o que acontece a este grupo de guerreiros e aos tiranos vilões.


terça-feira, 28 de março de 2017

Eragon

O primeiro de muitos...


Eragon, o primeiro volume da saga "Herança", de Christopher Paolini, e a primeira "vítima" da rubrica Recuperar o Passado! conta-nos a história de um rapaz aparentemente normal e com uma vida pacata que estava destinado a ser algo mais.

A rubrica Recuperar o Passado! consiste repetição da leitura de livros que me marcaram. Podem ler mais sobre ela aqui. Assim, devem perceber que Eragon foi um livro importante para mim.

Christopher Paolini, autor da obra, aventurou-se no mundo da escrita desde muito cedo, escrevendo a primeira versão de Eragon aos quinze anos. Admiro-o por isso, é necessário muita inspiração para atingir tal feito em tão tenra idade.

A história começa com um jovem, abandonado pela sua mãe em casa do seu tio, a caçar na Espinha, uma cordilheira onde ninguém se atrevia a entrar, quanto mais caçar. Eragon, ao contrário de todos os outros, era bravo o suficiente para o fazer, revelando a sua coragem logo desde o início. Nessa caçada o jovem encontra uma pedra singular. Este evento muda radicalmente a sua vida, de uma maneira que ele não poderia compreender quando decidiu levá-la para casa.

Sem sucesso na caça, tentou vender a pedra, no entanto, todos se recusavam a comprá-la quando descobriam a sua origem. Mal sabia Eragon que a pedra era, na realidade, um ovo de dragão. Quando este chocou, deixou-lhe uma marca prateada na mão, Gedwëy Ignasia, a marca dos cavaleiros. Este jovem, aparentemente insignificante, tornou-se, assim, o único cavaleiro de dragão vivo além do rei tirano Galbatorix.

Chegando rumores de um novo cavaleiro aos ouvidos do rei, este manda os Raz'ac investigar o vale remoto onde Eragon passou a maior parte da sua vida. Nessa busca por respostas, os enviados do rei matam o tio de Eragon e destroem a sua casa, obrigando-o a partir com Saphira, o seu dragão, e Brom, o contador de histórias da aldeia.

Brom, revelando não ser apenas um mero contador de histórias protege e ensina Eragon a tornar-se um verdadeiro cavaleiro de dragão e prepara-o para uma demanda por Alagaësia, na qual este teria de tomar decisões que não afetariam só a sua vida, mas todo o Império.

O jovem vê-se, assim, prisioneiro de uma responsabilidade que não escolheu, tendo apenas três opções: alinhar-se com o rei tirano, morrer ou lutar. Seria Eragon tão nobre quanto pensava? Teria força para resistir?

Este livro é, na minha opinião, uma obra prima. O autor consegue captar a minha atenção de uma maneira avassaladora, de forma a desejar ler só mais um pouco. As palavras são cativantes ao ponto de me compelirem a parar o que estou a fazer para poder avançar mais umas páginas.

Com descrições longas mas leves, conseguimos ter uma imagem perfeita de cada local onde as personagens se encontram. Após ler um trecho descritivo consigo lembrar-me dos pormenores como se tivesse estado nesse mesmo local. Isso, sem dúvida, torna a leitura deste livro emocionante e aliciante.

Batalhas, inimigos, alianças improváveis e traições são apenas alguns dos obstáculos que Eragon tem de enfrentar. Estes deixam-nos sempre amarrados ao enredo, desejando, por um lado, avançar na história para perceber o final, mas por outro, parar ali para vivermos as emoções das personagens na nossa mente por mais algum tempo.

A personagem que mais me marcou foi sem dúvida Eragon, o protagonista, mas não me posso esquecer de Brom, o contador de histórias, que revela ser muito mais que isso. Este, ocultando sempre a sua identidade é a face da consciência e sabedoria ao longo do livro.

Outro pormenor, não menos importante, é o valor dado aos dragões e os traços humanos que lhes são atribuidos de forma a que possamos, não só identificar-nos com o cavaleiro, mas também com o dragão, que revela, muitas vezes, ser mais prudente e astuto que os humanos.

Nunca pensei que reler uma obra me deixasse tão emocionada como da primeira vez que a li. Por vezes havia pormenores dos quais me tinha esquecido ou até baralhado e, ao repetir a leitura, deixei-me, uma vez mais, ser cativada pelo enredo fantástico que encontramos, removendo qualquer réstia de dúvida da minha mente.

Assim, este livro deixou-me com aquela amargura mental, na qual desejo continuar a ler embora já tenha terminado o livro. Dessa forma, estou desejosa para reler Eldest, o segundo volume da saga Herança e aventurar-me nas decisões do cavaleiro.